Frequentemente ouvimos a expressão “mediador natural” ser utilizada para descrever alguém calmo, neutro ou diplomático. No entanto, os grandes mediadores nascem ou são formados? A verdade está algures no meio.
Sim, algumas características pessoais, como empatia ou estabilidade emocional, podem proporcionar a certas pessoas uma vantagem inicial. No entanto, mediadores excecionais não dependem apenas de instintos. Eles desenvolvem habilidades específicas através de formação, prática e feedback. Seja um profissional da área jurídica, líder de RH ou facilitador comunitário, compreender as sete qualidades essenciais de grandes mediadores pode ajudá-lo a aperfeiçoar a sua arte ou a reconhecer o talento nos outros.
1. Inteligência Emocional
No cerne de todo conflito estão as emoções, a dor, o medo, a frustração e o orgulho. Os mediadores devem navegar por essas correntes emocionais sem se deixarem levar por elas. Isso requer:
- Autoconsciência: Reconhecer os seus próprios gatilhos ou preconceitos.
- Empatia: Perceber com precisão o que os outros estão a sentir, mesmo que não seja expresso verbalmente.
- Autorregulação: Manter a calma quando as tensões aumentam.
A boa notícia? A inteligência emocional não é fixa. É uma habilidade que melhora com a atenção plena, o feedback e a reflexão.
2. Curiosidade sem julgamento
Mediadores excepcionais são insaciavelmente curiosos, não apenas sobre o que ocorreu, mas sobre aquilo que é importante para cada pessoa. Eles sabem fazer perguntas que revelam o significado sem culpar:
- “O que foi importante para si nessa decisão?”
- “O que a resolução permitiria que o(a) senhor(a) avançasse?”
Essa curiosidade gera confiança e permite espaço para que as perspetivas mudem. No momento em que um mediador se torna mais interessado em estar “certo” do que em ser interessado, o processo é interrompido.
3. Imparcialidade e Presença
Os excelentes mediadores não se limitam a dizer que são neutros, demonstram isso em cada gesto e palavra. Isso inclui:
- Oferecer igual tempo de antena e atenção.
- Verificar constantemente as premissas.
- Gerir a linguagem corporal e o tom de voz com cuidado.
Essa profunda neutralidade não é passiva, é uma presença ativa e intencional. Ela ajuda as partes a sentirem-se verdadeiramente ouvidas, o que muitas vezes leva a avanços por si só.
4. A coragem de manter o processo
A mediação nem sempre é tranquila. Há momentos de confronto, silêncio ou emoção intensa. Os melhores mediadores não fogem desses momentos, eles manter o espaço.
Coragem significa:
- Formular as perguntas delicadas ou difíceis.
- Identificar o “elefante na sala”.”
- Resistir à tentação de resolver as questões com demasiada rapidez.
A coragem é o que permite que as partes enfrentem as partes difíceis da conversa e cheguem a um resultado mais honesto e duradouro.
5. Comunicação que conecta
Os mediadores devem falar de forma a convidar, e não a impor, a compreensão. Isso significa:
- Utilizar uma linguagem clara e acessível.
- Reformular declarações inflamadas sem diluí-las.
- Refletir emoção sem aumentar a tensão.
Mediadores qualificados são tradutores. Eles auxiliam cada parte a compreender não apenas as palavras proferidas, mas também as necessidades por trás delas.
6. Pensamento estratégico
Embora a mediação não seja uma partida de xadrez, os grandes mediadores pensam alguns passos à frente. Eles mapeiam dinâmicas, antecipam reações e orientam o processo com intenção. Mediadores estratégicos:
- Escolham cuidadosamente o momento certo (por ex: quando realizar a reunião, quando reconvocar).
- Analise os desequilíbrios de poder e ajuste-se de acordo.
- Ajudar as partes a desenvolver opções de forma a preservar a dignidade e a autonomia.
Eles sabem que o objetivo não é apenas um acordo, mas uma resolução que funcione e dura.
7. Compromisso com o crescimento
Por fim, os melhores mediadores estão sempre a aprender. Eles analisam casos difíceis, solicitam feedback, procuram supervisão ou acompanhamento e revisitam regularmente a teoria fundamental. Independentemente da sua experiência, eles permanecem humildes diante da complexidade dos conflitos humanos.
Se pretende melhorar as suas competências de mediação ou expandir a sua equipa, esta qualidade pode ser a mais importante de todas.
Então... Qualquer pessoa pode tornar-se um excelente mediador?
Sim, com a mentalidade, a formação e a prática adequadas. Embora algumas características possam ser mais naturais para algumas pessoas do que para outras, as competências essenciais da mediação são: ensinável, aprendível e escalável. A profissão não necessita de mais perfeição; necessitamos de mais pessoas com empatia, coragem e disposição para continuar a estar presentes quando é mais importante.
Quer esteja a enfrentar um conflito na sala de reuniões ou uma disputa na vizinhança, lembre-se: não se trata apenas de gerir o momento. Trata-se de orientar as pessoas para algo melhor.
Se pretende aprofundar estas sete competências essenciais, seja como mediador, profissional jurídico ou líder que lida com ambientes complexos de partes interessadas, ofereço programas de formação personalizados que combinam ferramentas práticas, experiência com casos reais e prática reflexiva. Os meus workshops são concebidos para fortalecer as dimensões técnicas e humanas da mediação, ajudando os participantes a construir confiança, aprimorar a intuição e aplicar essas competências imediatamente nos seus contextos profissionais. Se a sua organização se beneficiaria com o desenvolvimento de capacidades de mediação mais fortes, terei todo o prazer em discutir como podemos trabalhar juntos.






