Quando uma relação comercial começa a deteriorar-se, o primeiro passo formal é frequentemente uma carta, redigida por um advogado, cuidadosamente formulada e implicitamente (ou explicitamente) adversária. Ela marca o fim da negociação informal e o início da escalada.
No entanto, o problema é o seguinte: uma vez que a carta legal é enviada, a confiança é prejudicada. A comunicação torna-se cautelosa. A colaboração desaparece. E mesmo que a disputa seja eventualmente resolvida, o relacionamento geralmente chega ao fim.
Existe outra maneira.
A mediação oferece uma alternativa estruturada e profissional à escalada jurídica imediata. Ajuda a restabelecer o diálogo, identificar interesses comuns e reconstruir a confiança, mesmo em conflitos comerciais de alto risco.
O que a carta jurídica faz (e não faz)
Uma carta legal desempenha funções importantes:
- Documenta uma posição formal.
- Preserva os direitos legais.
- Cria um prazo ou uma chamada à ação.
Mas também:
- Desencadeia uma postura defensiva
- Endurece as posições
- Orienta as partes para os seus silos jurídicos
- Reduz o espaço para resoluções criativas e baseadas em interesses
A carta diz: “Estamos preparados para lutar.” Raramente diz: “Ainda estamos abertos a trabalhar juntos.”
É aí que a mediação reabre a porta.
Por que a confiança é importante em disputas comerciais
A maioria das disputas comerciais não envolve má-fé. Elas envolvem falhas de comunicação, desalinhamento ou mudanças inesperadas:
- Um fornecedor que não conseguiu entregar no prazo devido a atrasos imprevistos.
- Um cliente que interpretou mal o escopo
- Um parceiro que mudou de direção muito rapidamente ou muito lentamente
Essas situações não exigem guerra, elas exigem clareza, correção e restauração da confiança.
A mediação cria um ambiente estruturado onde:
- As partes podem expressar-se livremente.
- As preocupações são reconhecidas, não ignoradas.
- As soluções são criadas em conjunto, não impostas
A vantagem da mediação em disputas comerciais
1. Mantém os relacionamentos intactos
O litígio (ou arbitragem) pode resolver a disputa, mas quase sempre prejudica o relacionamento. A mediação preserva a opcionalidade.
2. Ajuda a compreender os motivos da outra parte
Em muitos conflitos, cada parte sente-se surpreendida ou traída. A mediação permite que ambas expliquem que eles agiram como agiram.
Essa clareza frequentemente muda a percepção de malícia para desalinhamento, abrindo espaço para a resolução.
3. Conduz a acordos mais duradouros
Quando as partes colaboram na elaboração da resolução, a conformidade melhora. Os acordos não são “conquistados”, são compartilhados.
4. Oferece um fórum confidencial
As discussões de mediação são privadas. Isso permite transparência e vulnerabilidade, sem riscos legais ou à reputação.
5. Mantém os advogados envolvidos, mas não no comando
Na mediação comercial, o advogado frequentemente participa. O seu papel muda de defensor para consultor, garantindo que os interesses do seu cliente sejam protegidos, mas dentro de um processo colaborativo.
Um exemplo do mundo real
Dois parceiros de uma joint venture num consórcio de construção entraram em desacordo. Um alegou má gestão; o outro alegou interferência. As cartas jurídicas começaram a ser trocadas. A arbitragem parecia inevitável.
Em vez disso, concordaram com a mediação.
Ao longo de três sessões, eles:
- Reconstruiu uma linha do tempo compartilhada de eventos
- Falhas de comunicação identificadas
- Renegociou a divisão de responsabilidades
- Construiu uma nova estrutura de governança com supervisão partilhada
As ações judiciais foram suspensas. O projeto continuou. Conflitos futuros foram evitados.
Quando recorrer à mediação (mesmo após o envio de cartas legais)
- Quando desejar resolver o problema sem perder o relacionamento
- Quando você deseja mais controlo do que um tribunal ou árbitro pode oferecer
- Quando o risco de reputação é elevado
- Quando os custos estão aumentando sem uma solução à vista
Como eu apoio disputas comerciais
Auxilio empresas em setores complexos, como construção, energia, infraestrutura e serviços profissionais, na resolução de disputas por meio de:
- Avaliação inicial do conflito e entrevistas com as partes
- Concepção de mediação com base jurídica, mas com foco comercial
- Sessões conjuntas ou separadas, dependendo da sensibilidade
- Documentação do acordo resumido para formalização legal
Quer esteja no meio de uma correspondência jurídica ou apenas a sentir que a situação está a agravar-se, ainda não é tarde demais.
A mediação não é a ausência de estratégia. É a evolução da mesma.
Vamos conversar antes que a sua próxima carta transforme uma disputa reparável numa ruptura irreversível.






