Como Mediar Disputas de Acesso a Terrenos em Operações de Mineração: Um Guia Passo a Passo

Para mediar eficazmente disputas de acesso a terras em operações de mineração, você precisa de um processo estruturado que aborde tanto as questões substantivas quanto os relacionamentos subjacentes. A abordagem mais eficaz envolve seis fases: preparação completa e mapeamento de partes interessadas, uma sessão de abertura cuidadosamente planejada, estabelecimento colaborativo da agenda, exploração profunda dos interesses por trás das posições declaradas, geração criativa de opções e negociação estruturada em direção a um acordo duradouro. O sucesso depende de abordar os desequilíbrios de poder entre empresas e comunidades, construir confiança através de ações demonstradas em vez de apenas promessas, e reconhecer que disputas de terras em indústrias extrativas carregam um peso emocional muito além de seu valor econômico. Comunidades que enfrentam deslocamento não estão simplesmente negociando dinheiro. Elas frequentemente estão lutando por sua identidade, suas conexões ancestrais e seu futuro.

Eu vi situações em que aldeias de reassentamento construídas por empresas tinham casas melhores, sistemas de água melhores e estradas melhores do que o que a comunidade deixou para trás, e ainda assim as pessoas estavam devastadas. As casas eram melhores por todos os padrões mensuráveis, mas o lugar estava errado. Os bosques sagrados onde os ancestrais eram honrados, o rio onde as crianças aprendiam a nadar, os espaços sociais informais onde a vida comunitária acontecia: nada disso poderia ser replicado no novo local. Este guia irá acompanhá-lo através de cada fase do processo de mediação, com listas de verificação práticas e lições de casos reais.

Por que as disputas de acesso a terras na mineração são diferentes

A extração requer acesso à terra. Este simples fato gera enormes conflitos. Quatro características tornam essas disputas especialmente desafiadoras:

  • Especificidade de localização: Os recursos não podem ser movidos. Ao contrário das disputas comerciais onde as partes podem encontrar fornecedores ou clientes alternativos, o corpo de minério está onde está. A comunidade vive onde vive. Nenhum dos dois pode se realocar.
  • Irreversibilidade: A extração transforma permanentemente as paisagens. Minas a céu aberto não podem ser preenchidas novamente. Rios desviados não podem retornar. Decisões tomadas hoje criam consequências que sobreviverão a todos os atualmente vivos.
  • Distribuição desigual: Os benefícios fluem para fora (para acionistas, governos, consumidores distantes) enquanto os custos se concentram localmente (degradação ambiental, perturbação social, deslocamento). Aqueles que arcam com os custos raramente recebem benefícios proporcionais.
  • Horizontes temporais intergeracionais: Os impactos persistem por décadas ou séculos. Os líderes atuais estão tomando decisões que vincularão seus netos que não têm voz no processo.

Essas características criam conflitos de intensidade incomum. Técnicas padrão de mediação comercial, projetadas para disputas onde as partes podem sair e encontrar alternativas, podem não funcionar quando a comunidade não pode sair e o recurso não pode ser movido.

O processo de mediação em seis fases

A mediação eficaz de acesso a terras segue um processo estruturado, mas adaptável. Cada fase se baseia na anterior, e pular etapas quase sempre cria problemas depois.

Fase 0: Preparação e pré-mediação

A preparação é onde as mediações são ganhas ou perdidas. Esta fase serve a quatro propósitos essenciais: construir confiança inicial com todas as partes, entender o conflito profundamente, avaliar se as condições estão corretas para a mediação e projetar um processo que se adapte à situação específica.

Identificação das partes interessadas

Sua primeira tarefa é identificar quem precisa estar à mesa. Isso é mais complexo do que parece. Do lado da empresa, você precisa de representantes com tanto o conhecimento para entender as preocupações da comunidade QUANTO a autoridade para fazer compromissos. Um oficial de relações comunitárias pode entender os problemas, mas não ter autoridade para comprometer recursos. Um CEO pode ter autoridade, mas carecer de conhecimento detalhado. Frequentemente, você precisa de uma equipe.

Do lado da comunidade, a análise é ainda mais complexa. As comunidades não são monolíticas. Diferentes grupos podem ter interesses diferentes: agricultores versus mineradores artesanais, anciãos versus jovens, mulheres versus homens, aqueles com título formal versus aqueles com direitos costumeiros. Tanto líderes formais (oficiais eleitos, chefes tradicionais) quanto líderes informais (anciãos respeitados, ativistas, figuras religiosas) podem precisar participar. Acordos que não têm a adesão de membros influentes da comunidade frequentemente falham durante a implementação.

Não se esqueça dos intervenientes secundários: funcionários do governo, ONG parceiras, comunidades vizinhas, meios de comunicação social. Estas partes podem não participar diretamente, mas podem influenciar significativamente os resultados. E tenha em atenção os potenciais desmancha-prazeres: aqueles que beneficiam da continuação do conflito ou que se opõem à sua resolução por razões próprias.

Condução de reuniões de pré-mediação

Encontre-se separadamente com cada parte antes de reuni-las. Essas reuniões servem a múltiplos propósitos: explicar o processo de mediação, ouvir a história de cada parte, explorar interesses subjacentes, avaliar preocupações sobre a participação e construir rapport. Procure 70% de escuta, 30% de fala. A qualidade dessas reuniões define o tom para tudo o que segue.

Avaliação de prontidão

Nem todo conflito está pronto para mediação. Avalie cinco fatores: Disposição (as partes estão genuinamente abertas ao diálogo?), Autoridade (os participantes podem comprometer seu lado?), Segurança (todos podem participar sem risco?), Boa-fé (as partes pretendem negociar honestamente?) e Timing (este é o momento certo?). Se algum fator estiver faltando, aborde-o antes de prosseguir ou adie a mediação até que as condições melhorem.

Fase 1: A sessão de abertura

A sessão de abertura molda tudo o que segue. Seus objetivos são estabelecer o papel e a neutralidade do mediador, explicar o processo e as regras básicas, criar segurança psicológica para um diálogo honesto e permitir que cada parte compartilhe sua perspectiva e se sinta ouvida.

Comece com uma explicação clara da mediação e do seu papel. Muitos participantes nunca experimentaram mediação e podem confundi-la com arbitragem ou litígio. Esclareça que você não julgará quem está certo ou errado, que a participação é voluntária e que nada dito na mediação pode ser usado em processos judiciais.

Estabeleça regras básicas de forma colaborativa. Regras típicas incluem: tratar os outros com respeito mesmo quando discordar, permitir que cada pessoa fale sem interrupção, focar em interesses e resolução de problemas em vez de culpa, manter confidencialidade sobre o que é discutido e comprometer-se a participar de boa-fé.

De seguida, convide os intervenientes a fazer declarações de abertura. Cada parte partilha a sua perspetiva sobre a situação, o que é mais importante para si e o que espera alcançar. Não se trata de argumentos, mas de oportunidades para serem ouvidos. Durante as declarações de abertura, começa a transformação. Os adversários, que até então só comunicavam através de advogados ou de protestos, sentam-se agora na mesma sala. Ambos os lados começam a ver os seres humanos por detrás dos estereótipos que construíram.

Fase 2: Estabelecimento da agenda

Trabalhe com as partes para criar uma agenda compartilhada. Quais questões precisam ser abordadas? Em que ordem? Este processo colaborativo dá às partes propriedade e garante que nada importante seja deixado de fora. Em disputas complexas de acesso a terras, a agenda pode incluir tópicos como compensação de terras, oportunidades de emprego, monitoramento ambiental, habitação de reassentamento, financiamento de desenvolvimento comunitário e protocolos de comunicação.

Enquadre os itens da agenda de forma neutra. Em vez de "falha da empresa em compensar", use "arranjos de compensação de terras". Em vez de "demandas irracionais da comunidade", use "emprego e restauração de meios de subsistência". O enquadramento neutro abre espaço para a resolução de problemas em vez de culpa.

Fase 3: Explorar interesses e necessidades

É aqui que a verdadeira transformação começa. Ajude as partes a passar de posições para interesses. Uma posição é o que alguém diz que quer. Um interesse é por que eles querem.

Por exemplo, a comunidade pode dizer: "Queremos cinco milhões de dólares em compensação." Isso é uma posição. Pergunte: "Por que esse valor é importante para vocês?" As respostas revelam interesses: cuidados de saúde para membros da comunidade que adoeceram, oportunidades educacionais para jovens que não podem mais pescar em águas contaminadas, segurança econômica para famílias que perderam suas terras agrícolas. Quando os interesses são revelados, soluções criativas se tornam possíveis.

Técnicas para descobrir interesses:

  • Pergunte “por quê”: “Por que isso é importante para você?”
  • Explore o que a posição alcança: “Se você recebesse isso, o que faria por você?”
  • Use hipóteses: “Se a empresa pudesse garantir X, como isso afetaria sua visão?”
  • Ouça os interesses dentro das posições: Capte sugestões como “por que precisamos de...”
  • Faça perguntas focadas no futuro: “Como seria sua comunidade em cinco anos se isso fosse bem resolvido?”

Ponto-chave: Ao mediar disputas de terras, nunca assuma que a compensação financeira resolve o problema. Pergunte sobre apegos não econômicos à terra: conexões ancestrais, locais sagrados, dependências de subsistência, redes sociais. Estes frequentemente importam mais do que dinheiro, e abordá-los pode desbloquear soluções que a compensação pura não consegue.

Fase 4: Geração de opções

Com os interesses compreendidos, faça um brainstorming de soluções possíveis sem avaliá-las ainda. O objetivo é a expansão criativa. Separe a invenção da decisão. Quais são todas as formas pelas quais esses interesses podem ser atendidos?

Em uma disputa de acesso a terras de mineração, as opções podem incluir: pagamentos de compensação direta, estabelecimento de um fundo de desenvolvimento comunitário, criação de programas de emprego e treinamento, melhoria do monitoramento ambiental com participação comunitária, financiamento de iniciativas de saúde, estabelecimento de comitês de decisão conjuntos, proteção de locais sagrados através de zonas de exclusão, criação de áreas de amortecimento entre operações e aldeias, ou desenvolvimento de acordos de compartilhamento de receitas.

Considero que as ferramentas visuais são úteis durante a criação de opções. Projecte um mapa na parede e desenhe diferentes configurações em conjunto. “E se a zona tampão se estendesse daqui até aqui?” “E se criássemos duas zonas de exclusão mais pequenas em vez de uma grande?” A comparação visual ajuda as partes a avaliar as opções de forma muito mais eficaz do que se avaliassem apenas as descrições verbais.

Fase 5: Negociação e barganha

Agora as partes avaliam opções, fazem trocas e trabalham em direção a um acordo. É aqui que as decisões difíceis acontecem. A confiança e a compreensão construídas nas fases anteriores tornam essa negociação possível. As partes que ouviram as histórias umas das outras, que compreendem os interesses umas das outras, negociam de forma diferente dos adversários que se veem apenas como obstáculos.

Use estes critérios para avaliar opções:

  • Viabilidade: Isso pode realmente ser implementado? A empresa dispõe dos recursos necessários? A comunidade tem capacidade para gerir o que é proposto?
  • Satisfação de interesses: Quão bem esta opção aborda os interesses subjacentes identificados?
  • Aceitabilidade: Ambas as partes podem conviver com isso?
  • Durabilidade: Este acordo vai se manter ao longo do tempo?

Quando as negociações estagnarem, use o teste de realidade. Ajude as partes a entender suas alternativas se a mediação falhar (sua MAANA: Melhor Alternativa a um Acordo Negociado) e as consequências de nenhum acordo (sua PAANA: Pior Alternativa a um Acordo Negociado). Frequentemente, entender genuinamente a alternativa ao acordo cria motivação para encontrar soluções.

Fase 6: Chegar a um acordo

A fase final envolve documentar termos claros e específicos. Um acordo é tão bom quanto sua clareza. Linguagem vaga convida disputas posteriores. A ambiguidade permite que as partes interpretem os termos de forma diferente. A especificidade cria responsabilidade e permite verificação.

Cada compromisso deve especificar:

  • O quê exatamente será feito (entregas específicas, não promessas vagas)
  • Quem é responsável por fazer (indivíduos ou funções nomeados)
  • Quando será concluído (datas específicas, não "assim que possível")
  • Como será medido ou verificado (padrões observáveis)
  • O que acontece se os compromissos não forem cumpridos (consequências e remédios)

Preveja mecanismos de controlo e procedimentos de resolução de litígios. O que acontece se uma das partes considerar que a outra não está a cumprir os seus compromissos? Como serão resolvidos os diferendos sobre a interpretação? Planear estas contingências evita que pequenos problemas de implementação se transformem em grandes conflitos.

Abordando desequilíbrios de poder

A desigualdade estrutural entre empresas e comunidades está por trás de muitas disputas de acesso a terras. As empresas têm recursos financeiros, expertise jurídica, conexões governamentais e acesso à mídia. As comunidades frequentemente não têm nada disso. Este desequilíbrio molda cada interação e pode condenar as negociações antes mesmo de começarem.

Estratégias para equilibrar o poder incluem:

  • Equalização de informações: Garanta que as comunidades tenham acesso às mesmas informações que as empresas. Isso pode exigir revisões técnicas independentes, documentos traduzidos e assistência especializada para interpretar dados complexos.
  • Capacitação: Ajude as comunidades a se prepararem para a negociação. Isso pode incluir treinamento em habilidades de negociação, educação técnica sobre impactos da mineração ou apoio na organização de suas próprias estruturas de governança.
  • Design do processo: Estruture o processo para dar às comunidades tempo adequado para consulta interna. Não permita que urgência artificial pressione as comunidades a tomar decisões que não consideraram completamente.
  • Suporte técnico: Forneça ou facilite o acesso a consultores jurídicos, técnicos e financeiros independentes que possam ajudar as comunidades a avaliar propostas.

Um caso concreto: A jornada de sete anos

Considere a mediação entre uma comunidade afetada e uma mina de ouro na África Ocidental, facilitada através do Conselheiro-Mediador de Compliance (CAO) de 2017 a 2024. A comunidade havia acumulado queixas ao longo dos anos: consulta inadequada sobre reassentamento, compensação percebida como insuficiente, promessas quebradas sobre infraestrutura, destruição de meios de subsistência e preocupações de direitos humanos sobre respostas de segurança a protestos.

A confiança havia se deteriorado a ponto de o diálogo direto ser ineficaz. Os membros da comunidade viam os representantes da empresa com suspeita, acreditando que qualquer engajamento era projetado para atrasar em vez de abordar suas preocupações.

Os mediadores projetaram uma abordagem em fases em vez de tentar resolver todas as questões de uma vez. Isso foi crucial por várias razões:

  • a confiança era muito baixa para negociação abrangente, algumas questões exigiam atenção urgente (acesso à água e habitação temporária não podiam esperar), e acordos iniciais sobre questões menores demonstraram que a mediação poderia funcionar.
  • Algumas questões exigiam uma atenção urgente. O acesso à água e a habitação provisória não podiam esperar pela resolução de questões complexas a longo prazo.
  • Os primeiros acordos sobre questões mais pequenas demonstraram que a mediação podia funcionar. Quando a empresa se comprometeu a melhorar o acesso à água e efetivamente o fez, a comunidade ganhou provas de que os compromissos negociados podem ser cumpridos.

Ao longo de sete anos, a mediação atravessou vários impasses. Houve momentos em que a confiança se desmoronou e uma das partes ameaçou abandonar o processo. Houve perturbações externas: mudanças políticas, flutuações dos preços dos produtos de base, uma pandemia global. Os mediadores mantiveram a dinâmica através de um empenhamento persistente, de reuniões separadas quando as sessões conjuntas eram demasiado controversas e da concentração em melhorias concretas que pudessem demonstrar progressos, mesmo quando as questões mais gerais continuavam bloqueadas.

Lição-chave: A preparação da comunidade foi crucial ao longo do processo. Os mediadores investiram esforço significativo no trabalho de pré-mediação com a comunidade para garantir representação genuína e participação informada. Sem esse investimento, a comunidade teria sido sobrecarregada pela equipe de negociação profissional da empresa.

Considerações especiais: Direitos dos povos indígenas e CLPI

Quando disputas de acesso a terras envolvem povos indígenas, proteções adicionais se aplicam. De acordo com a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (UNDRIP) e a Convenção 169 da OIT, os povos indígenas têm direito ao Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) antes que projetos prossigam em suas terras.

O CLPI é fundamentalmente diferente da consulta. A consulta exige informar as comunidades e considerar suas opiniões. O CLPI exige obter seu acordo. Cada elemento tem um significado específico:

  • Livre: Sem coerção, manipulação ou pressão indevida. Presença de segurança em reuniões de consulta, ameaças ou prazos artificiais violam o requisito de "livre".
  • Prévio: Antes que as decisões sejam tomadas e as atividades comecem. Buscar consentimento após a concessão de licenças não é consentimento "prévio".
  • Informado: Com informações completas sobre o projeto, seus impactos, alternativas e direitos da comunidade. As informações devem ser acessíveis, fornecidas em idiomas locais, e as comunidades devem ter tempo para entender e deliberar.
  • Consentimento: Acordo afirmativo através dos próprios processos de tomada de decisão da comunidade. A decisão da comunidade, seja sim ou não, deve ser respeitada.

Como mediador, deve garantir que as partes indígenas compreendem os seus direitos e que os processos respeitam os requisitos do CLPI. Não aceite as alegações da empresa de que a consulta satisfaz o CLPI. Trata-se de normas diferentes com implicações diferentes.

Checklist de pré-mediação

Utilize esta checklist antes de iniciar a mediação.

Preparação das partes interessadas

  • Todas as partes interessadas principais identificadas (partes primárias, influenciadores secundários, potenciais sabotadores)
  • Partes confirmadas dispostas e prontas para participar voluntariamente
  • Tomadores de decisão identificados e confirmados como tendo autoridade
  • Reuniões de pré-mediação concluídas com cada parte
  • Todos os participantes entendem o processo de mediação

Design do processo

  • Formato determinado (sessões conjuntas, caucuses, grupos de trabalho)
  • Cronograma estabelecido (número de sessões, prazo geral)
  • Regras básicas redigidas e acordadas
  • Disposições de confidencialidade estabelecidas
  • Acordo de mediação preparado se apropriado

Logística

  • Local neutro selecionado e reservado
  • Tradução e interpretação organizadas se necessário
  • Materiais preparados (flip charts, marcadores, mapas, documentos)
  • Salas de reunião disponíveis para caucuses
  • Transporte e acomodação organizados para participantes se necessário

Considerações especiais

  • Protocolos culturais identificados e incorporados
  • Considerações sobre trauma abordadas
  • Estratégias de mitigação de desequilíbrio de poder planejadas
  • Recursos de suporte disponíveis (jurídico, técnico, psicossocial)
  • Preocupações de segurança abordadas
  • Direitos dos povos indígenas (incluindo requisitos de CLPI) avaliados

Armadilhas comuns a evitar

  • Apressar a preparação. A pressão para "chegar à mesa" pode tentar os mediadores a encurtar o trabalho de pré-mediação. Resista a essa pressão. Toda mediação que vai bem tem uma preparação completa por trás dela. Toda mediação que falha frequentemente tem preparação inadequada como causa raiz.
  • Tratar a comunidade como monolítica. As comunidades têm divisões internas. Diferentes grupos têm diferentes interesses. As mulheres podem ser excluídas da tomada de decisão formal, mas são as mais afetadas por mudanças no acesso à água. Os jovens podem priorizar resultados diferentes dos anciãos.
  • Assumir que a compensação financeira resolve tudo. O dinheiro não pode substituir terras ancestrais, locais sagrados ou coesão comunitária. Sempre explore as dimensões não econômicas do que a comunidade perdeu ou teme perder.
  • Fechamento prematuro. O alívio de chegar a um acordo pode tentar as partes e mediadores a finalizar termos antes que todas as questões sejam genuinamente resolvidas. Teste os acordos completamente. Perguntas "E se..." revelam se as partes realmente pensaram na implementação.
  • Ignorar desequilíbrios de poder. Processos justos exigem partes aproximadamente equilibradas. Se você prosseguir com a mediação quando um lado é dramaticamente mais poderoso, sofisticado ou com mais recursos do que o outro, você corre o risco de facilitar um resultado injusto disfarçado de acordo voluntário.

Conclusão: Do acordo à mudança duradoura

Mediar disputas de acesso a terras em operações de mineração é um trabalho exigente. Requer conhecimento técnico sobre indústrias extrativas, sensibilidade cultural para contextos comunitários, paciência para construir confiança ao longo de meses ou anos, e habilidade para navegar negociações complexas multipartidárias. As apostas são altas: essas disputas afetam as casas, meios de subsistência, saúde e patrimônio cultural das pessoas.

Mas as recompensas são igualmente significativas. Quando a mediação funciona, ela pode transformar relacionamentos entre empresas e comunidades de adversariais para colaborativos. Ela pode prevenir ou resolver conflitos que de outra forma causariam sofrimento em todos os lados. Ela pode criar acordos que genuinamente abordam interesses subjacentes em vez de encobrir queixas.

Os princípios-chave a lembrar: Invista profundamente na preparação. Concentre-se em interesses, não em posições. Aborde os desequilíbrios de poder diretamente. Construa confiança através de ações demonstradas. Redija acordos com especificidade que permita responsabilização. E reconheça que você está lidando com pessoas que podem estar lutando não apenas por recursos, mas por sua identidade e seu futuro.

Um acordo é tão bom quanto sua implementação. Planeje o acompanhamento desde o início. As comunidades e empresas que precisam de mediadores merecem profissionais que permanecerão engajados até que os compromissos se tornem realidade, não apenas até que os papéis sejam assinados.

Está pronto para pôr estes princípios em prática?

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Retrato de Thomas Gaultier, vestido com um fato azul escuro e uma gravata azul.

Thomas Gaultier

Com um profundo conhecimento das complexidades da resolução de litígios, Thomas está empenhado em fornecer serviços de mediação profissional que promovam uma comunicação aberta, colaboração e resoluções duradouras.

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